sábado, 11 de novembro de 2017

O Melhor da Humanidade

O que mais me encanta em Dr. Who é o fato da série, e o Doutor principalmente, tratar com um olhar tão sensível a humanidade. O Doutor é um alienígena, mas entende muito bem os humanos, porque uma ou mais pessoas tiveram a genialidade de transformar um velho e ranzinza professor de uma série da década de 1960 em algo mais... E esse algo é tão complexo que eu adiei por muito tempo a escrita deste texto. Mas resolvi ser mais sucinto, e escrever apenas uma introdução à humanidade presente em Dr. Who, a melhor metáfora sobre a vida humana em formato de série televisiva que já tive o prazer de apreciar.

Cena de Doctor Who - O Guia Definitivo (2013):
- Não saber era bom. Foi um alívio. Tanta morte, tantos... amigos que eu perdi. Quero dizer, por que devo continuar?

- Porque... Porque você salvou milhares de milhões de vidas, e cada vez que você vai a um lugar e há algo de errado, você poderia virar e correr, mas você não faz isso. Você nunca faz. Você fica. Você ajuda.

- Ninguém ficaria e ajudaria?

- Não! E porque você não sabe disso, e porque você nunca compreenderia, por isso, meu amigo, é o que faz você o Doutor. E é por isso que você nunca vai parar.
Apesar de o Doutor ter o título de Senhor do Tempo e ser natural do planeta Gallifrey, ele consegue ser tão humano como é possível ser, seja em seus defeitos ou em suas qualidades. Contudo, suas qualidades costumam se sobressair, ao menos para a minha pessoa, já que eu amo a humanidade, e sempre prefiro ver o melhor dela. E, unindo o útil ao agradável, mencionarei essas qualidades com a ajuda de textos audiovisuais sobre outras obras não relacionadas e um texto de leitura popularmente dito sobre a série alvo desta introdução.


No vídeo Steven Universo é feminista? é explicado como a empatia é algo poderoso e importante, e como o "herói diferente" Steven a possui. Nesse quesito, ele é igual ao Doutor, que sempre sente a dor dos outros como se fosse sua e sempre tenta salvar todos, até quem considera ele como inimigo. Essa é a essência do Doutor, a essência da série, chegar em um lugar em que alguém precise de ajuda e ajudar, não importando quem ou onde for.


Undertale e a não violência é um vídeo que explica o conceito de não violência e como o jogo do título a pratica. O Doutor também é praticante dessa filosofia, raramente utilizando qualquer arma que não seja seu cérebro ou um instrumento não letal como sua chave de fenda sônica. A solução de conflitos praticada pelo Doutor normalmente envolve somente a agilidade de pensamento e o trabalho em equipe, mesmo que de forma improvisada.


Em Irmão do Jorel e a ditadura militar percebe-se como a ficção pode fazer piada do poder político de forma eficaz e inteligente. E além de o Doutor fazer isso, também faz duras críticas sociais envolvendo xenofobia, racismo, homofobia entre tantos outros preconceitos que a série aborda, assim como ocorre em Família Dinossauros.


O personagem Guts é mostrado como um personagem que sofreu e sobreviveu no vídeo Berserk e a obediência, e com o Doutor é a mesma coisa. O Senhor do Tempo é marcado por todos que ele precisou deixar - ou que o deixaram, por tudo que ele fez para ajudar os outros e, também como o Guts, o Doutor possui fortes relações de amizade que o ferem.


O senso de justiça de Saitama, como explicado em One Punch Man e o Kaizen, é extremamente forte, assim como o do Doutor, que está sempre disposto a se sacrificar pelos outros. Diferente de Saitama, o Gallifreyano não está interessado em ser imensamente poderoso, só em ajudar os outros. Entretanto, os dois são semelhantes em não querer parecerem bons, mas serem de fato, a ponto de dispensar o reconhecimento de seus feitos quando é preciso fazer o que é certo.


Concluindo, em Sobre lágrimas, cybermen e esperança a autora escreve não só um resumo do que é a série, portanto, um resumo de vários elementos do que eu escrevi acima, mas também como a coragem e as mudanças são recorrentes e necessárias. Transformações que, por vezes, fazem algo melhor do que era antes de mudar.


"É difícil falar sobre a importância de um herói imaginário. Mas heróis são importantes. Heróis nos dizem algo sobre nós mesmos.

Livros de história falam sobre quem costumávamos ser, documentários falam sobre quem somos agora, mas heróis falam sobre quem queremos ser. E muitos dos nossos heróis me deprimem.

Mas, sabe, quando criaram este herói em particular, não deram a ele uma arma, deram uma chave de fenda para consertar as coisas.

Não deram um tanque ou um navio de guerra, ou um caça X-Wing, deram uma cabine telefônica que você chama quando precisa de ajuda.

E não deram um superpoder ou orelhas pontudas ou um raio de calor. Deram um coração a mais. Deram dois corações. E isso é uma coisa extraordinária. Nunca haverá um tempo em que não precisaremos de um herói como o Doutor."

– Steven Moffat, roteirista e produtor de Doctor Who, sobre nosso querido herói.

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