terça-feira, 31 de outubro de 2017

11 Artes Magníficas do Saci

Excepcionalmente este ano uma publicação está sendo enviada em um dia que não é o 11, mas o 31. Isso porque hoje comemora-se o Dia do Saci! Por algum tempo pensei em escrever um conto de terror sobre o capetinha perneta que tanto amo, mas não tive capacidade para tanto. Entretanto, publico hoje um especial sobre este que ganhou uma data comemorativa para contrapor com o Dia das Bruxas, de tradição celta, mas popularmente atrelado à cultura estadunidense. Não que eu seja contra o Dia das Bruxas, agrada-me, até, certos aspectos, mas o fato é que sou um grande apreciador dos seres mitológicos brasileiros, mais popularmente conhecidos como o "pacote" folclore brasileiro.

"Folclore" é a junção dos termos em inglês "folk", que significa povo, e "lore", que significa conhecimento, ou seja, "folclore brasileiro" nada mais significa que cultura brasileira, o conhecimento do nosso povo. Não se limita somente aos seres mitológicos como Mula-sem-cabeça, Mapinguari, Corpo Seco, Cabeça Satânica, Anão dos Trilhos, entre outros... Inclusive, na primeira vez em que vi o livro Dicionário do Folclore Brasileiro, do antropólogo Luís da Câmara Cascudo, esperava um livro que abordasse somente as lendas, de tanto que essa ideia é enraizada no popular.

Esclarecida essa questão, reitero que amo esses seres do nosso folclore, não só no âmbito do imaginário infantil, mas também em releituras mais maduras, como acontece na série O Legado Folclórico de Felipe Castilho e os livros de A Arma Escarlate de Renata Ventura, em que a cultura brasileira é bem retratada em novas versões, como o Saci, que é chamado de Patrão na versão do Felipe. E o Saci não possui só versões variadas na literatura, mas também nos desenhos de bons artistas! E é por isso que hoje eu apresento 11 artes magníficas do Saci. Por que 11? Como diria o Crítico Nostalgia, porque eu gosto de ir um passo além. Mas esta lista não terá nenhum grau de melhor para pior ou ao contrário, serão apenas artes em ordem aleatória.
"O duende empresta características da trindade formadora da identidade brasileira: negros, índios e europeus. Traz o riso como enfrentamento, o deboche como arma. É o Saci o mito que mais diz sobre nós. Sobre todos nós."
Salomão Ventura
Começo com uma provocação do quadrinista Giorgio Galli, em que o Saci esmaga uma abóbora, uma representante do Dia das Bruxas. O texto provocador ainda adapta para o português a pronúncia do termo em inglês para esse Dia festivo, como uma forma de ridicularizar, creio eu. Contudo, por apreciar o toque macabro da arte, eu prefiro esta outra versão da mesma: Saci Pererê - 100 Anos de Inquérito, em que há mais terror por causa dos detalhes.

Saci Pererê – 100 anos do Inquérito
Esta é a primeira arte desse livro em PDF maravilhoso! Já conhecia o Colecionador de Saci há algum tempo, então fui procurar lá boas imagens para esta lista, e qual não é a minha surpresa ao descobrir que em 2017 completa-se 100 anos do livro de Monteiro Lobato em que ele reúne relatos de diversas partes do Brasil enviados para ele por meio de um jornal? Eu já conhecia o livro, mas não lembrava o ano em que foi publicado! Sobre a arte, é uma bela e inteligente paródia da pintura A Traição das Imagens. Amo trocadilhos.

Galeria Saci – Jânio Garcia
Esta é a segunda arte do Jânio Garcia que compartilho no Aniliquaga, a primeira está em Verdades Arquivadas, onde aponto como fonte da ilustração um blog que agora consta como removido. Gosto muito desse ilustrador, pois sua arte pode tanto ser singela como épica, e o estilo do Jânio é bastante agradável. Simples e eficaz, esta ilustração mostra um Saci bem popular. Finalizo com uma citação do artista: "Depois que comecei a dar aulas de arte digital na Pandora Escola de Arte comecei a conhecer muitos artistas de diversas nacionalidades que sempre representam muito bem o folclore de suas pátrias. Como eu sempre flertei com nosso folclore desde criança, pensei em fazer o mesmo, mas com o intuito de promover seu lado mais sombrio e misterioso. Penso que nosso gosto por orcs, dragões e elfos vem de séculos de exploração literária e cinematográfica que chega do exterior até nós. Ainda não tivemos o processo de amadurecimento para fazer o mesmo. Sinceramente, nosso folclore é muito rico e interessante. Gosto de ver o esforço de alguns autores e ilustradores em perpetuar, adaptar e melhorar nossas histórias."

DeviantArt
Esta versão tecnavapor do Saci é bem criativa não só pelo perna robótica, mas também pelo vestuário e corpo mais humano dessa criaturinha. Uma bela versão bem detalhada, mas sem muito o que eu possa dizer.

Saci Pererê – 100 anos do Inquérito
 Como arte não é só desenho, aqui mostro esta linda escultura de metal. E também começo a publicar aqui o texto atribuído à imagem no PDF: “Trabalho com esculturas feitas em ferro e além do conteúdo literário eu também construí um Saci. Aqui vai uma foto dele no verão. Estou esperando uma boa nevasca para mostrar como ele está bem adaptado aqui na Suécia”. - Gustavo Beuttenmuller

DeviantArt
Neste desenho estilo japonês, há uma fofa segurando um fofíssimo brigadeiro de Saci! Nada como "travessuras e gostosuras" em uma única versão do Saci, né? Mas doce, mesmo, está esta arte maravilhosa!

Saci Pererê – 100 anos do Inquérito
Esta arte é mais curiosa pela história que carrega do que pela estética em si, mesmo que ela muito me agrade pelo traço retilíneo e rebuscado: “O Saci é uma criatura com pele dura e resistente, como um tipo de madeira muito preta. Conta-se que, como guardião da floresta, certa vez teve sua perna arrancada e desde então usa essa mesma perna como bengala e como arma, espancando todo invasor que cause mal à sua casa. O alto da sua cabeça está sempre em chamas, motivo pelo qual sempre associam o fogo ao boné vermelho” - Stuart Marcelo

DeviantArt
Não é a primeira vez que vejo uma Saci, mas esta é possivelmente a melhor que já vi! Tudo é maravilhoso, as cores são perfeitas, o traço é meigo, a ideia é brilhantemente bem executada e os detalhes... o cachimbo que solta bolhas e não fumaça, a mãozinha graciosa que não está segurando nada, as belas fitas, a perna que não está lá, mas percebe-se que existia, a piscadinha, o olho estilo japonês e o gorrinho que lembra o de uma Mamãe Noel. Enfim, muito amorzinho tudo!

Saci Pererê – 100 anos do Inquérito
Amo desenhos bem detalhadas, e este é o exemplo perfeito. Assim como o Jânio Garcia, a ideia do Waldeir é simples, contudo, ao invés das cores, o artista abusa dos detalhes, e o preto e branco ajuda bem para destacá-los! É ideia sabida que Monteiro Lobato escreveu que o Saci "não faz maldade grande, mas não há maldade pequenina que não faça. ", e uma dessas maldades é trançar a crina dos cavalos. Também é bom destacar o aspecto macabro que Waldeir incutiu em sua ilustração do duende brasileiro.

DeviantArt
Arte digital que funde o Saci com o seu famoso redemoinho de vento, só por isso já me chamou a atenção. Paisagem que retrata lindamente as profundezas das florestas brasileiras e uso de cores que dispensa comentários. Eu pensei que parasse por aí, mas foi então que li um comentário na página da arte perguntando se a boneca de pano que o duende segura seria a Emília, o que torna esta ilustração ainda mais genial!

Saci Pererê – 100 anos do Inquérito
Para finalizar, apresento este belo artesanato que mais vale pelo que representa do que pela meiguice da imagem. É de Maurício da Fonte Filho, do Recife/PE, a citação que por último compartilho, e é a que não só expressa o sentimento do autor, mas também o que eu próprio sinto: "Desde criança, sempre me interessei muito pelo nosso folclore. Além disso, confesso que a ideia de ser um saciólogo me atrai bastante. O que me motivou foi a tentativa de passar para o saci o sentimento de maravilhamento que eu sentia e ainda sinto ao ouvir causos ou ler as histórias fantásticas de nossa terra. "

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