quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Recordações do Viajante Desconhecido

Entre uma viagem e outra ele parou. Parou e lembrou-se.

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Lembrou-se da Academia, do seu planeta, da sua espécie e como fugiu de tudo isso com sua neta. Lembrou-se de que a deixou em um só lugar, em uma só época. Será que deveria tê-la deixado?

Lembrou-se dos primeiros humanos que fizeram companhia a ele. Professores que o ensinaram muito. Lembrou-se de todos os humanos que já viajaram consigo... Será que devia tê-los deixado ir? Será que deveria ter insistido mais para ficarem?

Lembrou-se de todos os que morreram ou foram para um lugar que ele não poderia mais voltar. Por que não conseguiu impedir?

Lembrou-se dos ciborgues sem alma e de como, por mais que o viajante os derrotasse, sempre voltavam, assim como outras pragas. Será que adiantava todo o esforço empreendido?

Lembrou-se do seu exílio e dos que lá conheceu. Lembrou-se do já falecido, por quanto tempo não o viu? Seria melhor ter viajado mais com ele?

Lembrou-se do renegado pela própria espécie e da mulher de sua espécie com que ele viajou. Deveria ter aproveitado mais o tempo com eles? Poderia melhorá-los?

Lembrou-se de todas as mortes, de quantos ele não conseguiu salvar. Será que adiantava ajudar alguns em detrimento de outros?

Lembrou-se de toda a sua arrogância, de toda a sua soberba e as consequências disso. Deveria ter sido mais humilde?

Lembrou-se de todos os seus estratagemas, de como fez para que os outros fizessem o que ele queria. Será que teria sido um erro manipular os outros?

Lembrou-se de tudo isso e muito mais.

“Sou um bom homem?” Por fim, perguntou-se.

E lá no fundo de sua mente uma voz ecoou dizendo “Eu não sei, mas acho que tenta ser e... acho que é isso o que mais conta.”

E o viajante percebeu que havia feito muita coisa errada, mas também fez muita coisa certa. E que tinha um grande senso de justiça. Talvez todos errem, o que não deve significar que todos devam deixar de tentar fazer a coisa certa.

E é por isso que ele ainda viaja.
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