terça-feira, 11 de julho de 2017

O Sétimo Doutor é muito mais que desvalorizado

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Texto traduzido do Destornillador Sonico.

  


Tudo começou em 1987. A 23ª temporada, mais conhecida como O Julgamento de um Senhor do Tempo, encerrou a polêmica etapa de Colin Baker como o Sexto Doutor, sendo o primeiro e único ator na história da série a interpretar o Senhor do Tempo que foi despedido do papel (sem cena de regeneração). Foi talvez a época mais agitada da série; uma amálgama de diferentes fatores que foram o princípio do fim para a série clássica: pessoas dentro da BBC que não acreditavam na ficção científica e faziam roteiros de má qualidade. Tende-se a culpar o ator Colin Baker desse fracasso por ser a cara visível da série, mas a verdade é que ele extraía ouro dos roteiros que lhe davam. Não acredito que ninguém jamais se equivocará ao escolher um ator para interpretar o papel, mas esse tema merece outro artigo a parte.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Recordações do Viajante Desconhecido

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Entre uma viagem e outra ele parou. Parou e lembrou-se.

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Lembrou-se da Academia, do seu planeta, da sua espécie e como fugiu de tudo isso com sua neta. Lembrou-se de que a deixou em um só lugar, em uma só época. Será que deveria tê-la deixado?

Lembrou-se dos primeiros humanos que fizeram companhia a ele. Professores que o ensinaram muito. Lembrou-se de todos os humanos que já viajaram consigo... Será que devia tê-los deixado ir? Será que deveria ter insistido mais para ficarem?

Lembrou-se de todos os que morreram ou foram para um lugar que ele não poderia mais voltar. Por que não conseguiu impedir?

Lembrou-se dos ciborgues sem alma e de como, por mais que o viajante os derrotasse, sempre voltavam, assim como outras pragas. Será que adiantava todo o esforço empreendido?

Lembrou-se do seu exílio e dos que lá conheceu. Lembrou-se do já falecido, por quanto tempo não o viu? Seria melhor ter viajado mais com ele?

Lembrou-se do renegado pela própria espécie e da mulher de sua espécie com que ele viajou. Deveria ter aproveitado mais o tempo com eles? Poderia melhorá-los?

Lembrou-se de todas as mortes, de quantos ele não conseguiu salvar. Será que adiantava ajudar alguns em detrimento de outros?

Lembrou-se de toda a sua arrogância, de toda a sua soberba e as consequências disso. Deveria ter sido mais humilde?

Lembrou-se de todos os seus estratagemas, de como fez para que os outros fizessem o que ele queria. Será que teria sido um erro manipular os outros?

Lembrou-se de tudo isso e muito mais.

“Sou um bom homem?” Por fim, perguntou-se.

E lá no fundo de sua mente uma voz ecoou dizendo “Eu não sei, mas acho que tenta ser e... acho que é isso o que mais conta.”

E o viajante percebeu que havia feito muita coisa errada, mas também fez muita coisa certa. E que tinha um grande senso de justiça. Talvez todos errem, o que não deve significar que todos devam deixar de tentar fazer a coisa certa.

E é por isso que ele ainda viaja.
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sábado, 10 de dezembro de 2016

11 Canais de Dubladores Brasileiros

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Sou um grande apreciador da dublagem, principalmente da sua versão brasileira. Por causa disso, vez ou outra, sempre ouço aquela “piada” de que eu não sei ou não me agrada ler. Sendo a dublagem é uma versão traduzida de uma obra audiovisual, não de uma obra literária. Porque eu quero assistir ao filme, não lê-lo. Já tenho livros e revistas para ler, não preciso de filmes ou séries. Isso não significa que eu não vejo essas obras audiovisuais legendadas, só que majoritariamente prefiro a dublagem. Quando a versão dublada está indisponível ou a obra em questão possui o espanhol como idioma original, vejo com legendas sem o menor problema.

E por que aprecio tanto a versão brasileira, podem perguntar. Por motivo de amar a língua portuguesa - meu idioma favorito, seguido do espanhol -, a interpretação dos atores brasileiros e por não querer ler o filme, como já mencionei anteriormente. Sem falar de alguns filmes que têm no idioma original uma interpretação pífia, ou que simplesmente me desagrada.

Após essa introdução, devo dizer que faz alguns anos que penso como incluir este tema em um texto com o contexto deste espaço virtual para aqui ser publicado. Assim, depois que pensei no artifício das listas para conseguir atualizar o Aniliquaga com mais frequência - o que, como podem ver, não foi tão eficaz como gostaria, pois já completou mais de um ano da publicação de A Criatura -, lembrei que acompanho alguns canais de dubladores no YouTube. São vários artistas maravilhosos que tenho a honra de não só apreciar seus trabalhos na ficção, mas agora por meio de vídeozinhos super divertidos, pode crer?

E é por isso que hoje eu apresento 11 canais de dubladores brasileiros. Por que 11? Porque eu gosto de ir um passo além. Como diria o Crítico Nostalgia... Mas esta lista não terá nenhum grau de melhor para pior ou ao contrário, serão apenas canais que adoro listados em ordem alfabética.

Para Gostar de Dublagem

sábado, 31 de outubro de 2015

A Criatura

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Agora estou aqui, escondido neste armário, tentando passar despercebido pelas criaturas. Estou tentando não pensar nelas, não sentir medo, mas não consigo. Acredito que agora eu só possa escrever como tudo isso aconteceu e esperar que, depois que eu for morto, alguém encontre este meu relato e faça algo para deter essas criaturas. Realmente espero que alguém consiga descobrir o que são e como detê-las.
Tudo começou quando acordei em mais um dia de minha vida. Levantei, ainda cambaleando de sono, e vi. Vi algo parecendo um cão preto e magrelo, mas eu não tinha um no meu apartamento, e nunca ouvi falar em um que andasse pelas paredes. Entretanto, não tomei susto. Estava tão envolvido pelo sono recém finalizado que só fiquei parado ali, no meio da sala, vendo aquela criatura parada na parede, como se a gravidade surtisse efeito diferente nela, ou como se ela não se importasse com tal lei da física.

Depois de um tempo, já mais desperto, fui em direção à criatura, enquanto a via começar a andar pela primeira vez, nas paredes. Talvez eu estivesse pensando que fosse um sonho, ou simplesmente porque sou deveras curioso, mas nem pisquei ao me aproximar daquilo. E foi só quando aquilo olhou para a minha pessoa, que eu senti o peso da realidade, dei um grito e bati naquilo com o maior objeto que pude alcançar no momento.

A criatura foi ao chão depois que bati nela, para depois ir para a cozinha. Corri em direção a ela tentando acertá-la novamente e esmagá-la, como se fosse uma barata miserável. Desejando que, ao esmagá-la, tudo aquilo terminasse. Mas quando eu a encurralei, a criatura abriu sua grotesca boca e falou no bom e velho português comigo. Naquele instante, senti mais medo do que em toda a minha vida.

- Que medo delicioso estou sentindo. Faz tempo que não como tanto. Chego a estar farto.

Desesperado, pulei em cima da criatura para que eu não precisasse mais ouvir aquela voz nojenta. E a criatura me mordeu! Nem pensei na possibilidade de ela ter me infectado, e corri para alcançar a besta que fugia pela janela. Cheguei a tempo de vê-la se rastejando pelo chão do térreo e arrancando gritos, desmaios e correrias dos que ali estavam.

Desci as escadas correndo, só pensando em eliminar aquela vil criatura da face da Terra. Com prazer, pude vê-la se rastejando, claramente sem força, pelas redondezas de meu prédio. Não havia mais um pingo de medo em mim, só raiva. Toda a raiva que senti pelo que havia perdido, pelo que não pude ter, por todas as minhas frustrações, estava descontando naquilo. E após a criatura não conseguir mover mais um músculo sequer, percebi que estava meio esverdeada, com algo que supus ser seu sangue, mas não consegui identificar se estava dentro ou fora de sua pele.

Depois, pude carregá-la, com a ajuda de um vizinho, para levá-la a algum lugar que ficasse presa. Fiquei muito aliviado por tudo isso finalmente estar acabando, e já pensava o que podia fazer para passar mais um domingo tranquilamente em meu apartamento, quando vi outras duas criaturas quase idênticas àquela, com o mesmo tom esverdeado nos ombros. Mas devo confessar que ainda me pergunto o que me fez gritar e sair correndo desesperado dali, assim que as vi: o fato de mais pesadelos vivos aparecerem ou terem saído do elevador quebrado, trancado por fora já fazia uma semana?